Lider do prefeito Vinicius na Câmara, vereador Marcos Custódio é evangélico e temente a Deus. Ser cúmplice da blasfemia da palavra contida no projeto que estimula o jogo de azar e coloca a população em risco é contrariar a palavra bíblica. Por sua formação moral e cristã, tem a obrigação de convencer seu prefeito a retirar da pauta o projeto, sob risco de cometer grave pecado. O mesmo se diz no tocante as suas carreiras profissionais e condutas ilibidas, se votarem a favor quatro vereadores policiais que tem assento no parlamento.
A Prefeitura de Marília acaba de protocolar na Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 173/2025, que visa instituir a Loteria Municipal como nova fonte de arrecadação. A proposta, segundo o Executivo, pretende gerar recursos para áreas como saúde, educação e assistência social. Mas por trás da promessa de investimento público, esconde-se uma engrenagem perigosa: a normalização do jogo de azar, com impactos devastadores para famílias vulneráveis e um rastro de destruição social.
Em tempos em que aplicativos como o famigerado “jogo do tigrinho” têm levado famílias marilienses à falência, é no mínimo alarmante ver o poder público flertar com a institucionalização da aposta como política de arrecadação. O argumento de que a loteria será “regulamentada e auditada” soa como retórica vazia diante da realidade: jogo é vício, é armadilha, é ruína para os mais pobres.
A farra das bets já tomou de assalto os contribuintes. Aliciamento digital, promessas de dinheiro fácil, e uma avalanche de perdas que não aparecem nas propagandas. Agora, o que era ilegal e marginal pode ganhar selo oficial — terceirizado, licitado e legitimado por vereadores que, se aprovarem esse projeto, estarão cometendo um grave mal à sociedade.
E onde estão os freios institucionais? O Ministério Público permanece em silêncio. A OAB, que deveria zelar pela legalidade e ética, não se manifesta. O projeto avança como um rolo compressor, alimentado pela ganância do governo municipal, que vê no jogo uma mina de ouro — mesmo que isso custe a dignidade de seus cidadãos.
Nomes como os policiais Batata, Fefin Damasceno e Rossana, e o líder do prefeito na Câmara, Marcos Custódio, este que se declara evangélico, precisam refletir: votar a favor é desagradar a Palavra de Deus, que condena o lucro sobre a desgraça alheia, no caso do vereador Custódio; e no caso dos policiais citados, um verdadeiro aceno ao crime se tal projeto passar. E mais: é colocar em risco suas próprias carreiras políticas, diante de uma população cada vez mais consciente e revoltada.


